Hoje é domingo de Páscoa. E as tradições aqui na França destoam bastante do Brasil.
Os supermercados estão transitáveis e não precisamos nos abaixar para não levar uma "ovada" na cabeça. (ok, não no meu caso!!)
Os poucos ovos que vimos ontem no Carrefour têm preços bem menos salgados quando comparados às suas respectivas formas de barra. Por exemplo, Kinder Ovo formato Páscoa (150 g) com "surpresa gigante", sai por 6,50 euros, enquanto duas barrinhas Kinder Bueno de 40g, saem por 1,50 euros.
Segundo a lenda francesa, quem traz os ovos para as crianças no domingo são os sinos das igrejas e não o coelhinho! Todos os sinos da cidade foram para Roma na quinta-feira santa, e só voltam no domingo com ovinhos de chocolate, que são escondidos no pátio das casas e as crianças devem procurar. Desta forma, justifica-se o fato dos sinos não baterem entre o entardecer de quinta à domingo.
Mas é claro que o coelhinho tem sua participação, pois nos países vizinhos como Alemanha e Suíça, a tradição tem como símbolo o animalzinho. E foi assim que o coelhinho chegou no Brasil, através dos imigrantes alemães. E ele passou aqui em casa também!!!
E, a melhor parte, é que o feriado de Páscoa é amanhã, na segunda-feira!!! Por quê?? Isso ninguém soube explicar, nem meus amigos franceses!!
Boa Páscoa à todos... ou Joyeuses Pâques!!
Au Revoir!
Nossa jornada de estudos em Paris!!
Benvindo! Bienvenue !
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domingo, 8 de abril de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Cinco bons hábitos Franceses
Neste seis meses na Cidade Luz, já foi possível fazer um breve levantamento sobre os hábitos dos franceses. Listo os melhores, na minha opinião:
Leitura: Todos os dias vemos pessoas lendo no trem, no metrô, no ônibus, na espera pela baguete na boulangerie e até mesmo caminhando na rua! Livros novos, velhos, de Paulo Coelho à Dostoievski. O bom hábito também se prolifera por causa da grande quantidade de sebos que se espalham pela cidade, onde pode-se comprar livros à 0,50 euros. Há também lojas como Gilbert Jeune, que vende livros novos a bons preços, mas também é possível trocar os velhos livros por novos.
Comer bem: Aqui não tem quem não limpe o prato! Saladas, legumes, frutas e pouca quantidade de gordura fazem parte do farto prato do francês. Além do pão e do queijo (ou iogurte) de sobremesa. Sim! O queijo aqui é umas das mais apreciadas sobremesas. Crianças não fazem cara feia na frente de um prato de repolho. Desde cedo são ensinados a comer de tudo. Nada de birra na hora das refeições.
Exercícios físicos: Eita povo que gosta de correr!!! Ao abrir a cortina às 6:30 da manhã, mesmo numa gelada manhã de inverno, já é possível ver as pessoas correndo pelas ruas da cité. Não há neve que intimide. Os hábitos de corrida, caminhada, bicicleta e esportes coletivos são muito incentivados.
Política: Não há pessoa que não tenha uma boa visão da situação política do país e uma opinião para expressar. É comum ouvir nas refeições, calorosas discussões sobre os candidatos à presidência, principalmente nesta época pré-eleições na qual estamos. Creio que esse hábito é saudável para o país, pois as pessoas não se alienam do que se passa no cenário político com a desculpa muito ouvida no Brasil "ah.. detesto política! É sempre tão sujo!" Aqui, sujo ou não, o assunto sempre está em pauta.
Produtividade: Já ouvi alguns brasileiros comentando que os franceses trabalham pouco. Não é totalmente errado, pois comparado com a jornada brasileira, os franceses trabalham menos horas (35h/semana) e tem mais períodos de férias por ano. Mas ao mesmo tempo, eles utilizam muito bem o tempo dedicado ao trabalho. Mais importante que passar horas no escritório, é fazer esse tempo render.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Na terra do vinho (e não é Bento)
Mês passado fizemos nossa primeira viagem dentro da França. E começamos muito bem, fomos para Bordeaux.
Fomos de TGV (trem da alta velocidade), percorrendo os quase 600 km de Paris até lá em três horas e meia.
Chegamos no hotel as 9h da manhã e o primeiro contato com uma pessoa de Bordeaux nos fez pensar que não tínhamos saído da capital da bufada. Falei para a moça da recepção que tínhamos uma reserva. Ela olhou com uma cara de muito incomodada e disse "gentilmente" que o check-in era só depois das 14h. Aí perguntei se podíamos deixar as bagagens. Ela deu uma bufada que não poderia de forma alguma ser seguida de uma resposta positiva... e soltou um "bien sûr" (claro). Como já estamos acostumado com o jeitinho dos parisienses, a situação foi muito engraçada.
Mas fora esse momento, fomos bem atendidos na cidade.
Aproveitamos o primeiro dia para dar uma volta pela cidade. Almoçamos no centro e fomos conhecer o Jardim Botânico. Lugarzinho muito bonito, que deve ficar ainda melhor na primavera (sim, como todos os jardins botânicos).
No centro da cidade, tem um grande escritório de atendimento ao turista, onde fomos nos informar sobre as visitas às vinícolas (dica de um amigo que tinha ido lá uns meses atrás). Eles tem várias opções de passeios e visitas guiadas à diversas vinícolas nas cidades vizinhas.
E pode-se também pegar mapas e algumas dicas ali mesmo e fazer o próprio roteiro (foi o que fizemos).
Em frente à esse escritório de turismo fica a École du Vin, um lugar que oferece cursos de degustação de vinhos e tem um ambiente muito bonito e agradável, onde ficamos um bom tempo conversando e bebendo bons vinhos à preços bem razoáveis (2,50 a 6 euros a taça).
Depois voltamos para o hotel caminhando pela beira do rio Garonne, curtindo a cidade à noite, que é um espetáculo à parte. Todos os prédios históricos tem uma iluminação muito bem planejada, o que deixa a cidade ainda mais bonita à noite.
No dia seguinte, com o mapa das vinícolas em mãos, pegamos um trem e fomos para Saint Emilion, uma cidadezinha medieval a 40 min de Bordeaux. E que cidade! Muito bonita, patrimônio histórico mundial e mantém as mesmas características de quando foi construída, entre os séculos 8 e 12. A vista da parte mais alta da cidade é incrível.
Passamos o dia lá, conhecemos a cidade e visitamos duas caves de vinícolas locais. Caves mesmo, pois os vinhos são armazenados em cavernas escavadas debaixo da cidade quando da sua construção.
Existe também a possibilidade de visitar vinícolas maiores, conhecer o processo de fabricação, fazer degustações, etc. Mas descobrimos que a maioria delas não oferece visitações no período do inverno. Aí aproveitamos para passar o dia caminhando pelas ruazinhas da cidade e conhecendo todos os cantos possíveis.
Voltamos à noite para Bordeaux, mais uma banda pela cidade e, na manhã seguinte, trem para Paris de novo.
Baita viagem para se fazer em um fim de semana.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
O ensino na França
Nossa missão na Cidade Luz é estudar.
Na verdade, pensamos que íamos estudar.
Ledo engano.
Estamos estudando pra caramba!!! Muito mais do que gostaríamos, mas muito menos do que deveríamos!!
Imagino que acompanha o blog deve pensar que somos turistas. Mas temos um "combinado" de só relaxar nos finais de semana, e dedicar todos os turnos da semana para o estudo.
Mas essa sensação de estar estudando menos ou mais, tem fundamento. Aqui o ensino é bem diferente do Brasil.
Nós que somos da área de exatas estamos sentindo bem a diferença, que se reflete no tipo de abordagem dos temas, que são muito mais "teóricos e matemáticos" do que vimos no Brasil.
Enquanto na universidade brasileira temos muitos exemplos práticos (embora achamos que seja pouco!!) aqui é tudo matemática!!!
E pelo tipo de ensino-base que os alunos tem, pra eles é muito tranquilo esse tipo de aprendizagem.
Explicando como a coisa funciona aqui:
A partir dos 3 anos a criança pode ir pra école maternelle. Antes disso existe a opção de crèche.
O ensino é obrigatório a partir dos 6 anos de idade na école primaire.
A partir dos 11 anos as crianças vão para o collége e a partir do 15, para o lycée para completar o baccalauréat (diplome bac), equivalente ao nosso ensino médio.
Depois disso existem duas opções:
- Entrar nas universidades públicas, onde todo aluno com baccalauréat tem o direito garantido de estudar. Ou seja, a universidade é obrigada a acolher todo o aluno interessado que tenha terminado a escola. As universidades formam mais professores e profissionais de saúde e pesquisa. A duração dos cursos é de 3 anos.
- Ingressar numa École ou Grand École, que são unidades de ensino superior criadas por Napoleão para suprir a falta de mão de obra de alto nível. São formadoras de profissionais de base para as mais diversas áreas.
Porém, para entrar numa École é necessário fazer um curso preparatório (classe prépa), durante dois anos, onde se aprende os fundamentos do ensino superior, de acordo com o curso superior desejado. Dizem que é super pesado!!! São dois anos estudando muito para passar no concurso e estudar mais 3 anos para obter o diploma.
A França adotou, em 2006, o sistema europeu de ensino chamado "LMD" (Licence-Master-Doctorat)
Licence significa diploma bac+3 (ou seja, ensino médio mais 3 anos de ensino superior), e Master, diploma bac+5.
Depois, é partir para o doutorado, que tem duração mínima de 3 anos, e envolve a defesa de uma Tese.
As reformas na educação nos últimos anos tem aproximado mais as universidades e écoles. Por exemplo, o master que eu faço aqui é um curso conjunto de três instituições: a universidade na qual estou matriculada que é a Université Pierre et Marie Curie (Sorbonne - Paris 6), ESPCI (École Superieure de Physique e Chimie Industrielles) e ENSCP (École Normale Superieure de Chimie de Paris).
A ideia é aproximar as instituições e nivelar os alunos formados.
Espero que esse post inspire futuros colegas a vir e aproveitar uma das melhores coisas da França: o ensino de qualidade!
Au revoir!!
Na verdade, pensamos que íamos estudar.
Ledo engano.
Estamos estudando pra caramba!!! Muito mais do que gostaríamos, mas muito menos do que deveríamos!!
Imagino que acompanha o blog deve pensar que somos turistas. Mas temos um "combinado" de só relaxar nos finais de semana, e dedicar todos os turnos da semana para o estudo.
Mas essa sensação de estar estudando menos ou mais, tem fundamento. Aqui o ensino é bem diferente do Brasil.
Nós que somos da área de exatas estamos sentindo bem a diferença, que se reflete no tipo de abordagem dos temas, que são muito mais "teóricos e matemáticos" do que vimos no Brasil.
Enquanto na universidade brasileira temos muitos exemplos práticos (embora achamos que seja pouco!!) aqui é tudo matemática!!!
E pelo tipo de ensino-base que os alunos tem, pra eles é muito tranquilo esse tipo de aprendizagem.
Explicando como a coisa funciona aqui:
A partir dos 3 anos a criança pode ir pra école maternelle. Antes disso existe a opção de crèche.
O ensino é obrigatório a partir dos 6 anos de idade na école primaire.
A partir dos 11 anos as crianças vão para o collége e a partir do 15, para o lycée para completar o baccalauréat (diplome bac), equivalente ao nosso ensino médio.
Depois disso existem duas opções:
- Entrar nas universidades públicas, onde todo aluno com baccalauréat tem o direito garantido de estudar. Ou seja, a universidade é obrigada a acolher todo o aluno interessado que tenha terminado a escola. As universidades formam mais professores e profissionais de saúde e pesquisa. A duração dos cursos é de 3 anos.
- Ingressar numa École ou Grand École, que são unidades de ensino superior criadas por Napoleão para suprir a falta de mão de obra de alto nível. São formadoras de profissionais de base para as mais diversas áreas.
Porém, para entrar numa École é necessário fazer um curso preparatório (classe prépa), durante dois anos, onde se aprende os fundamentos do ensino superior, de acordo com o curso superior desejado. Dizem que é super pesado!!! São dois anos estudando muito para passar no concurso e estudar mais 3 anos para obter o diploma.
A França adotou, em 2006, o sistema europeu de ensino chamado "LMD" (Licence-Master-Doctorat)
Licence significa diploma bac+3 (ou seja, ensino médio mais 3 anos de ensino superior), e Master, diploma bac+5.
Depois, é partir para o doutorado, que tem duração mínima de 3 anos, e envolve a defesa de uma Tese.
As reformas na educação nos últimos anos tem aproximado mais as universidades e écoles. Por exemplo, o master que eu faço aqui é um curso conjunto de três instituições: a universidade na qual estou matriculada que é a Université Pierre et Marie Curie (Sorbonne - Paris 6), ESPCI (École Superieure de Physique e Chimie Industrielles) e ENSCP (École Normale Superieure de Chimie de Paris).
A ideia é aproximar as instituições e nivelar os alunos formados.
Espero que esse post inspire futuros colegas a vir e aproveitar uma das melhores coisas da França: o ensino de qualidade!
Au revoir!!
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
O Brasil, visto da França
Documentário que vi segunda-feira, na TV Francesa, sobre o Brasil e NO Brasil:
"O Brasil é uma terra exótica, mas já é possível encontrar mais coisas além de belas praias e belas mulheres"
"Quando foi colonizado, o Brasil foi dividido em partes, chamadas de capitanias hereditárias, e 'doado' às famílias ricas. E esse sistema persiste até hoje."
"Não existe classe média no Brasil. Ou são pobres, ou são muito ricos"
Aula do Murilo, na semana passada:
"A figura mostra as luzes acesas, de noite, ao redor do mundo. Podemos ver uma grande intensidade de luzes no litoral do Brasil por que o resto do país é coberto pela floresta e não há uma população significativa"
Toda vez que eu falo "eu sou brasileira" eu ouço a frase:
"Como assim? Você é loira e de olhos claros!!!! Tem mais assim como você lá???"
Como eu sou uma pessoa de exatas, eu concluo com base nos dados.
Longe de mim especular.... mas eu acho que tá na hora do mundo (e da França, nesse caso) abrir mais os olhos e enxergar quem somos.
Tá na hora de mostrarmos quem somos.
Tá na hora de vir pra cá, estudar, voltar pro Brasil e fazer desse país a potencia que ele merece ser.
Desabafo feito!
Au revoir!!!
"O Brasil é uma terra exótica, mas já é possível encontrar mais coisas além de belas praias e belas mulheres"
"Quando foi colonizado, o Brasil foi dividido em partes, chamadas de capitanias hereditárias, e 'doado' às famílias ricas. E esse sistema persiste até hoje."
"Não existe classe média no Brasil. Ou são pobres, ou são muito ricos"
Aula do Murilo, na semana passada:
"A figura mostra as luzes acesas, de noite, ao redor do mundo. Podemos ver uma grande intensidade de luzes no litoral do Brasil por que o resto do país é coberto pela floresta e não há uma população significativa"
Toda vez que eu falo "eu sou brasileira" eu ouço a frase:
"Como assim? Você é loira e de olhos claros!!!! Tem mais assim como você lá???"
Como eu sou uma pessoa de exatas, eu concluo com base nos dados.
Longe de mim especular.... mas eu acho que tá na hora do mundo (e da França, nesse caso) abrir mais os olhos e enxergar quem somos.
Tá na hora de mostrarmos quem somos.
Tá na hora de vir pra cá, estudar, voltar pro Brasil e fazer desse país a potencia que ele merece ser.
Desabafo feito!
Au revoir!!!
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